sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quando os barcos voltarem

E você anda por aí distraído, por esse mundo que antecede o que virá, você anda por essa vida que leva e traz, enquanto a eternidade nos espera num ritmo próprio, seja para nos encontrarmos como desconhecidos em uma esquina da cidade ou aportarmos no mesmo oceano - entre fluorescências da maré e manhãs brandas, entre nossas asas desajeitadas e momentos fecundos. E eu sou toda graça, estou viva e trago teus olhos no fundo dos meus, enquanto caminha distraído para o mundo que virá, onde escoa e finda nossa tempestade, barcos de madeira descascada ancoram suaves e redes são remendadas no detalhe. No começo do mundo, onde escovo meus dentes sonolenta no mesmo espelho no qual, distraído, se corta ao barbear. Meu amor, deixei a porta aberta pra você.

Imagem: Isla Azul - Chris Cab