quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

De volta ao mar

Quando os dedos percorrem de leve a pele de asa de borboleta - o escudo mais perfeito que minh'alma já venceu - é que me deixas perceber o que és. Uma caixa dentro de outra caixa. Um presente interminável de se abrir. A cada caixa, uma forma mais audaciosa de convencer o mundo sobre seu encanto. Percorro o seu mapa em minha memória. O sorriso envergonhado de um rio em paz. A proteção tatuada nos braços estendidos como portas brancas ou janelas abertas à minha espera. Em minhas mãos um rosto macio, de mistérios insondáveis e doçura insuspeita. Os olhos se agarrando ao sorriso dos meus. Abro os braços e neles está você. Vivendo em um território secreto do meu peito, renascendo em um abraço de reconciliação comigo mesma, redesenhando com seus dedos agéis o caminho de onde me perdi. De onde mergulhei no breu.

E eu o sigo amor, porque era em ti que eu sempre quis renascer, antes mesmo de perceber o que és. A praia, o vento, as velas. E o norte.

Imagem: Lazy Sunday Afternoon at Petone Beach - from Peter Wellington